Sexta-feira, Setembro 22


O chão está dormindo.
Eu piso leve.
escrito por Bela Figueiredo 17:08 - Comments:


Quarta-feira, Setembro 13


Registre-se
Assim, no mais, veio uma frase, que me acompanha desde a criança: "era para mí la vida entera como un sol de primavera".
Fui atrás: é um tango. E de Carlos Gardel. Tá.
escrito por Bela Figueiredo 22:37 - Comments:


Sexta-feira, Setembro 8


Bazar Amar é... um luxo!
Pecinhas garbosas a preços justos, para rapazes e moçoilas.
Donde: Café da Oca [Rua General João Telles, 512 - Bom Fim - Poa]
Cuando: domingo, 10 - das 12h às 21h e segunda, 11 - das 9h às 21h

Tá? Então nada de tédio na domingueira e dá-lhe desfrute na segunda!
Aguardo-vos, belíssima, em meu uniforme!


escrito por Bela Figueiredo 10:08 - Comments:


Sexta-feira, Setembro 1


Cabra-cega ou Suba aqui nesse meu osso
Ontem, no café, enquanto Píri rodopiava seus cachos além, um cara falava de e.e. cummings (em caixa baixa, o poeta já assinava, bem antes do advento dos cabos). E por não crer em acasos, mas nos pássaros de Kundera, que se aninham sobre os ombros da gente, fui atrás de cummings, às cegas.

"que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso"

escrito por Bela Figueiredo 10:05 - Comments:


Domingo, Agosto 27


Ao redor
Tranco a respiração ao passar pelo mendigo. Logo eu, tão humana, socialista! Oh, faço parte da canalha! Então, dou um passo atrás. Pera lá. Retrocedo e puxo o ar fundo, encho os pulmões com a fedentina de mijo e poros. Sigo.

Olho para a minha cidade como se não a conhecesse. E isso não é um faz-de-conta, mas um exercício de estranheza para com as árvores, fachadas de casinhas antigas, meios-fios e tapumes de obras com que mantenho forte intimidade. Tento ver minha cidade como se eu fosse aqui uma estrangeira. E dá certo! Às vezes. Às vezes, pego detalhes que me escaparam outro dia ou apenas vejo meus velhos conhecidos de outra maneira.

A paisagem muda todo dia. Faço caminhos diferentes e sempre iguais de volta pra casa, mas neles, atores estreantes e veteranos autografam minha memória. A mulher esquisita de boina, óculos e casaco quente demais para um dia como hoje e seus modos doentios. O estudante atravessando a rua com seus hormônios na mochila. Os rapazes do frete têm aparência duvidosa, falam como bêbados e receio. Um cara de 26, 27 anos me olha - ele está no orelhão - direto de seu casaco de cobertor e pele ocre. Um velha assoa o nariz e outra vez tranco a respiração com medo das viroses de inverno.

Agora, sentada na mesma mesa de sempre, o café demora. Já passou o tempo de um cigarro.
escrito por Bela Figueiredo 12:01 - Comments:


Segunda-feira, Agosto 21


Ó, gurizada:
Quem pediu, levou!
Fotenhas do meu trintismo, por Luciano Bergamaschi, pai do Pedro [que tá demorando a nascer. nervos!] e marido da Yara, uma de minhas três leitoras e querida do coração.


lord William, discursando, e as pernocas-delícia da Larissa




meu dj e amigo de tudo, Aslan




euzinha, depois de os pés não serem mais leques, mas um "cheque"
escrito por Bela Figueiredo 14:48 - Comments:


Terça-feira, Agosto 15


Desenhando pontinhos
Não sai de mim a cantoria de Ceumar. A toada. Eu, à toa. A canção é do Zeca, mas não faz a menor diferença.

Alegria! Misturada a uma tristeza velha, do automatismo de chinelos aquele que não larga a gente. Mas crescem asas nas minhas costas... Pontilha-se "um céu cheio de estrelas, feitas com caneta bic, num papel de pão".

E me ocorre o quão perto do céu está alguém como Mikhail Baryshnikov...


escrito por Bela Figueiredo 15:00 - Comments:


Sábado, Agosto 12


I'm not cold. I'm old
O título aí em cima parafraseia Bia, uma nova amiga que conheci através da fofura-master Larissa que, por sua vez, veio de brinde com Eduardo. Todos, alegres supresas de 2006, justo quando completo 30 anos. E não é novidade pra ninguém que venero os múltiplos de três.

Bom, agora um texto antigo que o Dani, meu ex-marido, achou nas coisas dele e, gentilmente, enviou.

Aquilo talvez não terminasse bem
Ele entrelaçou os dedos atrás da cabeça, abrindo os braços, feito um Cristo, em seu local de trabalho, displicente, fora da cruz. Através dos "oclinhos" ovais, olhou pela janela enfarado. Antes disso, me olhou - muito. Ele sempre me olha de um jeito e ele tem um jeito, sabe? Um jeito daqueles que põe a gente completamente sem jeito.

Sentamos de frente um para o outro aqui na repartição. E isso não teria mal algum não fosse eu "casada, fútil e tributável". Cagona também e católica praticante e fiel e mariazinha-do-passo-certo e com dezenas de carnês para pagar no final do mês. Reincidente o clichê: "onde se ganha o pão, não se come a carne".

Ele mexeu comigo. Ele e seus olhinhos de camomila, pele marrom - o feio-bonito. Tudo isso acrescido de lustro cultural, boas trepadas no caderninho (imagino), uma ex-mulher, dotes domésticos e fluência nos quesitos política e maneira de andar. Não tem o que mais eu admire num homem do que o seu caminhar. E o conjunto da obra dele é fodidamente delicioso. Despencam da cintura uma pernas compridas, cobertas por calças de brim vulgares e muito me agrada homens que usam trajes chinfrim, ainda mais quando os trajes chinfrim guardam formas longilíneas massudas, com as mãos nos bolsos.

E seguiu, tonto, com um olho na janela, o outro em mim. Eu, um quase nele e o esquerdo na tela do computador. Sou a Miss Dissimulada quando preciso. Quando quero, não consigo, mas quando preciso, sei ser mais blasé que a Ingrid Bergman. Borboletas no estômago, mas sequer um decímetro aparente. E ele desafiando com aquele olhar clarinho, forte. Para que as borboletas pararem com os rasantes no meu estômago, distraía os pensamentos contando quantas vezes vomitei, o número de pombas que cruzei pela manhã e a quantidade de zeros que tem em um trilhão. Tudo isso pra não me avançar nele. Pra não me atirar naquele olhar. Consegui. Me concentrei. Esqueci que ele continua me olhando e que o pau dele deve estar duro. Mas se eu me lembrei que consegui é porque não distraí pensamento algum e estive essas horas todas no olho dele, sem olhar; meus pensamentos nos dele, pensando.

Seis horas. Vou para a minha casa, a vida que escolhi, os amantes são para as mulheres infelizes e libertinas; e as guampas dos maridos incompetentes. Não é o caso. O moço dos oclinhos vai continuar com seu jeito que me deixa sem jeito mas o melhor jeito de dar um jeito nisso é fingir que não estou sem jeito. E dizem que a repetição das palavras - além de cacofonia - denota paixão. Não se escolhe uma paixão; ela vem. E também já vai. Prudente matar pra não morrer infeliz. Então, seguro aqui dentro a minha égua louca, afinal, esta não é a primeira vez nem ele o primeiro olho bonito - já gostei de criaturas de olhos grandes feito a jabuticaba e barrigudinhos. A volúvel sou eu. E quem morre por um olhar de matar? Já estou tornando a dizer. Perdi o ônibus e ele caminha, mãos nos bolsos, do outro lado da rua. Nua, burra, puta, luta, criatura!, não vai. Outro T5 logo vem.
escrito por Bela Figueiredo 12:02 - Comments:


Sexta-feira, Agosto 4


Dorso da mão contra a testa
Oh, minh'alma ibérica, que costurou o poeta!

Quase
[de Mário de Sá-Carneiro]

"Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém..."

escrito por Bela Figueiredo 22:49 - Comments:


Terça-feira, Agosto 1


Free as a bird

Amo A bird in the hand
escrito por Bela Figueiredo 18:02 - Comments:


Terça-feira, Julho 25


Cancelado show da Pata
Povo, a maravilhosa TAM deixou os meninos de molho no aeroporto de Brasília. Por isso, o show de hoje, 26, no Renascença está CANCELADO.

Desculpaí. Coisas do "róque".


Foto: Danilo Christidis
escrito por Bela Figueiredo 18:12 - Comments:


Segunda-feira, Julho 24


Capitonné
"Meu tempo é quando", acertou Vinicius de Moraes. Estou doente do sexto andar e nós - a doença, eu e o sexto andar - trocamos cordialidades com o tempo que é, também, tanto.

Somam-se a nós três, Neruda "redondo como uma melancia", Bethânia cantando Poetinha, alguns amigos e internet - o cisticerco do amor.

Um óleo rançoso unta quereres a um relógio parado.

Preparo um chá para meus companheiros: a doença carece e o sexto andar não sabe se mover até o fogão. Sorvemos o líquido morno, atentos ao marcador dos minutos, imóvel. Sorrimos meias-luas em mais um dia cínico.

A ventura toca a campainha enquanto a gata pratica yoga no sofá. Neste momento, bem nesta hora quanta, estalo meus dedos num sinal burguês. A criada vem com os biscoitos e os três lambemos os beiços uns dos outros.
escrito por Bela Figueiredo 12:18 - Comments:


Quinta-feira, Julho 20


Piada interna
Vamos arrumar as malas, elefantinhos!


Da série "Gostosas", de Caco Galhardo
escrito por Bela Figueiredo 16:39 - Comments:


Domingo, Julho 16


Vigília
Em dez dias, tudo pode mudar, inclusive nada.
Eu que não sou pouca, me transformei noutra, que sou eu e todas as outras.
Para isso, dormi pouco.
escrito por Bela Figueiredo 11:58 - Comments:


Quinta-feira, Julho 6


Adi granth
Pés descalços, franciscana, e isso nada tem a ver com Chico.
O piso frio, a pisada cálida.
Drink sem álcool, mesmo que antes, adicta.
Agora, amigos on line. E antes disso, pessoas, de vísceras mesmo, no bar.
Os dedos rebolam elipses para, em seguida, enroscar mechas de mim, no ninho.
No mecômetro, meço, o tamanho Dele.
E um botão da blusa prende o âmago à mesa.
escrito por Bela Figueiredo 01:52 - Comments:


Segunda-feira, Junho 26


O sonho acabou
Fantasiei que a vida me pouparia de recolher as migalhas da pia.


escrito por Bela Figueiredo 19:42 - Comments:


Quinta-feira, Junho 22


Robustez: eu e usted
Dois fortes no olhar
na vida são
grilos,
quebráveis

Tontos, tortos
os fortes, fracos são
mas buscam eretos
o desvão

Tatear para depois permear
e quando for,
que arrebente
de tanto

Por ora,
o observar com demora
mas, sim
aceito ser sua senhora

Sombra não
a menos que
sombra na sombra:
intersecção
escrito por Bela Figueiredo 15:38 - Comments:


Terça-feira, Junho 20


Baby boom!
Agora esse blog terá cheirinho de bebê.
O clã Tellini Figueiredo está em festa!
Minha irmã querida-mor, Inês, tá esperando filhotinho!
Estamos todos em estado de graça e queremos dividir essa alegria com vocês.

A seguir, pic da mamãe mais faceira da querência.

escrito por Bela Figueiredo 19:20 - Comments:


Domingo, Junho 18


Ó:
Tem conto meu no Não 82.
escrito por Bela Figueiredo 20:21 - Comments:


Quinta-feira, Junho 15


O rei do lábio leporino

Jadore Joaquin Phoenix!

escrito por Bela Figueiredo 20:33 - Comments: